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Escreva sobre o que conhece

Nas diversas vozes encontradas aqui, encontramos também unidade, a marca de quem escreve sabendo o que está fazendo. Jadna se torna o outro sem deixar de ser ela mesma, corre para diversos falares sem deixar de ser una.”

Inicio este texto com a citação do prefácio de “Quintal fantástico” maravilhosamente escrito por Anacã Agra, meu mentor de escrita criativa e doutor em Literatura. É sempre uma honra ter o privilégio de seus elogios, no entanto não é sobre isso que quero falar neste artigo. O que Anacã fala nesta citação desperta em mim o lembrete da maior dificuldade que tive ao escrever “Quintal fantástico”: a tentativa de ser eu, mas também ser o outro.

O escritor em sua essência se constrói como esse indivíduo de várias faces: ser nordestino, mas escrever sobre um personagem sudestino; ser mulher, mas adentrar na mente de um homem; não saber pintar um quadro, mas construir uma personagem pintora. É aí que se encontra a magia da coisa: ser um só, mas também ser todos.

O que devemos lembrar com muita importância sobre esse assunto é um requisito básico: a pesquisa. Certa vez, lendo um artigo científico, encontrei um trecho em que o teórico dizia que para ser escritor regionalista você deveria ser local; ter nascido e crescido naquele ambiente para ter a carga de conhecimento suficiente para se fazer pleno em sua escrita. Embora eu ache mesmo que isso ajuda, porque escrever obras no Nordeste é muito mais fácil para mim, cheguei numa constatação clichê: mas não é o escritor esse indivíduo capaz de vestir várias peles? Bom, esse autor certamente estava preocupado com o estereótipo: maior inimigo do autor regionalista.

E foi esse monstrinho que me assombrou durante toda a construção de “Quintal fantástico”. Como havia eu de construir contos espalhados pelo Brasil, abordando culturas locais tão peculiares, sem me fazer pitoresca?

Pesquisa.

Essa lição vai para todo e qualquer escritor, independente do assunto que esteja tratando em seu livro. Aprendi isso nos primeiros anos de aprendizado com Anacã. Ele dizia: “Escreva sobre o que conhece”. Uma vez me disse isso diretamente, porque escrevi um texto sobre uma modelo e não fui atrás de saber como era a vida de modelo, fiz deduções, criei como achava que deveria ser… um erro. A gente pensa que vai enganar o leitor. Vai nada. Escritor precisa acima de tudo saber que leitor é bicho danado, percebe tudo, é inteligente, lê já procurando pistas e entrelinhas. A primeiríssima coisa que meu mentor disse foi “escreva sobre o que conhece.” Com isso, ele não quis dizer “ escreva o que você conhece”, mas “se não conhece, pesquise, aprenda, conheça primeiro. Depois escreva.”

Levo isso para a vida.

Minha saga então se deu início na pesquisa, lendo sobre a cultura, vegetação, comidas, vestimentas e ritos sagrados. Depois, a escrita. Ainda iniciante, tomando cuidado para não ser caricato, mas vacilando vez ou outra. E então a cereja do bolo: a leitura de pessoas locais, estas que me disseram o que poderia ser inserido e retirado, a confiança na voz que habita esses espaços. Mesmo vestida do outro, sei bem que não posso ocupar o espaço dele; isso é muito importante quando se quer trabalhar qualquer minoria ou cultura que não nos pertence.

Para findar, digo apenas que espero ter conseguido cumprir minha missão, que tenha adentrado nessas preciosas culturas sem ter feito estragos. Espero que não, mas caso tenha ocorrido, prometo que tentarei ser melhor da próxima vez. Como costumo dizer, “Quintal Fantástico” é uma celebração da cultura brasileira para a posteridade, que seja um registro da memória cultural e que acalente vários corações.

Boa leitura.

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Redes sociais da autora: Jadna Alana

Página oficial Izyncor: Jadna Alana

Palavras-chaves:
Livro, autor, escreva sobre o que conhece, regionalismo fantástico, folclore brasileiro, Quintal Fantástico
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